O Mito do Livre-Arbítrio

arbitrio

Confissão de Westminster declara na seção III do capítulo IX: O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu pr6prio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Ref. Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef.2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito 3:3-5.

 

A maioria das pessoas diz que acredita no “livre arbítrio”.

Você tem alguma idéia do que isso significa?

Creio que existe uma boa dose de superstição sobre este assunto. A vontade é exaltada como a grandiosa capacidade da alma humana que é completamente livre para dirigir nossas vidas.

Mas, do que ela é livre? E de que ela é capaz?

Definição:  ” Livre Arbítrio – liberdade de auto determinação e ação independente de causas externas”

Bem, vamos testar se alguma escolha pode ser feita nessas condições. Você me convida para tomar café. De que você gosta mais: pão doce ou salgado? Você deixa para que eu decida? Você gosta mais de pão doce, e eu de salgado, mas você decide comer pão salgado, pois o que importa é a minha companhia? Você gosta mais de estar comigo do que comer pão doce? Infelizmente, a “causa externa” está presente em todos esses processos de escolha. Portanto, o arbítrio não é livre de “causas externas”.

Vamos ao cinema. Não, é melhor você ir sozinho para eu não atrapalhar sua escolha. Que filme você decide assistir entre os 12 que estão passando? Sua escolha foi por causa do ator ou atriz? Foi por causa do horário em que ele vai começar? Foi por causa da trama? Foi por que alguém disse que o filme era bom? Onde você vai sentar ao entrar na sala de exibições? Bem no centro, para poder ver melhor a tela? Bem ao fundo, ou na ponta…? Por que você escolhe o lugar onde senta? Não tem jeito, em todas essas escolhas há “causas externas”.

Bem, vamos tentar fazer uma escolha sem “causas externas”. Você escolheu um modelo de camisa para comprar? E agora, vai ser a azul ou a marrom? Nenhuma das duas, vai ser uma outra cor porque ela é a sua cor favorita? Sinto muito, lá vem “causas externas” no exercício do seu arbítrio… Ou seja, qualquer escolha acontece por causa de inclinações ou preferências, se “preferir” chamar assim.

Livre arbítrio, no processo de escolha de comida, por exemplo, é quando você vai sozinho para um restaurante, na Malásia, e o garçom te dá o menu, e você nem sabe ler o que tá escrito. Você vai escolher um prato sem saber se é líquido ou sólido, se é pastoso ou seco, se é vegetal ou animal, se é cru ou cozido ou se é caro ou barato. Isso é o exercício do livre-arbítrio no processo de escolha de um prato. Ou seja, nenhuma informação (causas externas, lembra?). É como dizer escolha A ou B (se bem que você pode escolher A porque seu nome começa com A…causa externa!). Escolha 1 ou 2! Esquerdo ou direito. Etc.

Nesse ponto, talvez você pense como eu e diga: “peraí, e se for o contrário? E se Livre-arbítrio for um processo de escolha onde se sabe tudo sobre a escolha?” Ou seja, e se Livre-arbítrio for um processo de escolha onde se goste de duas coisas de igual forma? Infelizmente, isso também não funciona. Vamos imaginar que você goste, igualmente, do azul e do marrom. Que camisa você irá comprar? Você só pode levar uma. Qual será? Azul ou marrom? Não adianta, se o gosto for igual, você irá ficar olhando para as camisas pra sempre, sem poder fazer uma escolha. Pois, se escolher uma é porque gostava mais daquela cor do que a outra. Percebe que não há saída? A escolha parece que nunca se livra de “causas externas”.

Então, em minha opinião, Livre-Arbítrio é um termo vazio.

O MITO DA LIBERDADE CIRCUNSTANCIAL

Ninguém pode negar que o homem tem vontade – que é a faculdade de escolher o que deseja dizer, fazer e pensar. Mas, já refletiu sobre a lastimável fraqueza da sua vontade? Embora tenha a capacidade de tomar uma decisão, você não tem o poder de realizar o seu propósito.

Os irmãos de José o odiavam e venderam-no como escravo. Mas Deus utilizou o que eles fizeram para torná-lo um governante sobre eles mesmos. Eles escolheram, com o seu curso de ação, prejudicar a José, mas Deus, em Seu poder, dirigiu os acontecimentos para o bem de José, que disse: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem” (Gn 50.2).

Quantas das suas decisões são miseravelmente frustradas? Você pode desejar ser um milionário, mas é possível que a providência de Deus impeça isso. Você pode querer sair de férias, mas um acidente de automóvel pode mandá-lo para o hospital.

Ao dizer que a verdade é livre, certamente não queremos dizer que ela determina o curso da sua vida. Você não escolheu a doença, a dor, a guerra e a pobreza que espoliaram a sua felicidade. Você não optou por ter inimigos. Se a vontade do homem é tão potente, por que não desejar vivendo sempre e sempre? Mas você certamente vai morrer.

Uma sóbria reflexão sobre sua própria experiência levará à conclusão que: “O coração do homem propõe o seu caminho, mas o Senhor lhe DIRIGE os passos” (Pv 16.9). Em vez de exaltarmos a vontade humana, deveríamos humildemente louvar ao Senhor, cujos propósitos formam as nossas vidas. Assim como confessou Jeremias: “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha o dirigir os seus passos” (Jr 10.23).

Você pode escolher e planejar o que tiver vontade, mas sua vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus.

O MITO DA LIBERDADE ÉTICA

Mas o livre arbítrio é citado como um importante fator na tomada de decisões MORAIS. Diz-se que a vontade do homem é livre para escolher entre o bem e o mal. Mas devemos perguntar novamente: Ela é livre do quê? Ela é livre para escolher o quê?

Nenhum homem é compelido a agir contrário à sua vontade, nem forçado a dizer aquilo que não quer.

Isso, entretanto, não significa que sua capacidade de decidir está livre de qualquer influência. Você escolhe com base no seu entendimento, sentimentos, gestos e desgostos, e seus anseios. Em outras palavras: sua vontade não é livre de você mesmo! A vontade é inclinada àquilo que você conhece, sente, ama e deseja. Você sempre escolhe com base em sua disposição, de acordo com a condição do seu coração.

É apenas por esta razão que sua vontade não é livre para fazer o bem. Sua vontade é escrava do seu coração que é mau, “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era CONTINUAMENTE MAL TODO DESÍGNIO do seu coração” (Gn 6,5), “Não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.12), “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jr 17.9).  Não há força que obrigue o homem a pecar contra sua vontade, entretanto os descendentes de Adão são tão maus que sempre escolhem o mal.

Aquilo que a maioria entende por livre arbítrio é a idéia de que o homem é neutro, e, portanto, capaz de escolher tanto o bem quanto o mal. Isto simplesmente não é verdade. O arbítrio humano, assim como toda a natureza humana, é inclinado SÓ e CONTINUAMENTE para o mal. Jeremias indagou: “pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Nesse caso também vós podereis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” (Jr 13.23). É impossível. É contrário à natureza. Por isso que os homens precisam desesperadamente da transformação sobrenatural de suas naturezas, de outro modo seus desejos estão escravizados na escolha do mal.

VERSÍCULOS

“Mas, e Apocalipse 3.20 “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” e João 1.12” Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome;”?

Bom, vejamos, o primeiro texto a ênfase não está em “abrir a porta” usando o livre-arbítrio, como os arminianos querem, mas em “ouvir a voz”. Aqui, João nos esclarece: Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz (João 18.37b), e ainda João 10.3-27 (confira!), em destaque o verso 27: As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. – Além do mais o contexto de apocalipse está se referindo a um chamado ao arrependimento de crentes desviados da igreja de Laodicéia, não um apelo à moda Billy Granhan.

E sobre João 1.12 parte a?: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus. – Se olharmos para o versículo anterior: Veio para o que era seu, e os seus não o receberam (v.11), iremos perceber que grande parte do povo judeu não creu que Jesus era o Deus Criador. Esse é o contexto desde o verso 1: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. (vv.1-3). E o v.10 não deixa dúvida: O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Cristo é o Deus Criador! Mas muitos judeus não creram!

Voltemos, finalmente ao verso 12 em questão: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome. – Olhe agora para a parte b: aos que crêem no seu nome. A ênfase está aí! A ênfase está em “CRER”, e eles não creram. Mas porque não creram? João não pode entrar em contradição, veja João 12.37-40 e tenha a resposta bíblica: E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele, para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso, não podiam crer, porque Isaías disse ainda: Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados.

 

Diac. Gilson M S Santos

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BIBLIOGRAFIA:

 Teologia Sistemática: Louis Berkhof

Confissão de Fé de Westminster, Capítulo IX, seção 1

Artigo do Rev. Gildásio Reis, Pastor da Igreja Presbiteriana de Osasco;

John Hendryx: Tradução: Josaías Cardoso Ribeiro Jr. – http://www.monergismo.com/;

Raniere Menezes : http://www.monergismo.com/

Presb. Rubens Cartaxo: http://www.monergismo.com/

Bento Souto: http://www.monergismo.com/

Walter J. Chantry: http://www.monergismo.com/